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On 10 março 2011 1 comentários

Dom Celso Antônio Marchiori

Bispo de Apucarana - PR

Quaresma é o tempo litúrgico que precede a Páscoa do Senhor. Sim, este tempo bonito da liturgia nos leva, sobretudo, a fixar o olhar na Páscoa do Senhor. Páscoa é tempo de vida, de alegria, de ressurreição.

Durante a quaresma a Igreja nos exorta a vivermos mais intensamente a vida cristã. Para isso, nos é proposto alguns exercícios quaresmais tal como a oração, o jejum, a penitência, mas, sobretudo a virtude da caridade fraterna. E a cada ano a Igreja pensa num tema bem específico para vivenciarmos. Tema sempre relacionado à nossa vida. É o tema da CF. Neste ano o tema é: Fraternidade e a vida no Planeta. E o lema: “A criação geme em dores de parto” (Rm 8,22).

Desde a criação do mundo a natureza vem sendo ferida pela ação humana. Quando Deus criou o universo, ele o criou com muito amor pensando em nós. São tantos detalhes importantes presentes neste imenso universo que nós nem nos apercebemos. Mas tudo foi criado harmonicamente. E nós fomos por Deus colocado neste jardim esplêndido que é o planeta terra para que aí, num relacionamento harmônico com tudo e com todos os que nos circundam, pudéssemos viver bem felizes. E na medida em que vivemos em harmonia com Deus, com o próximo, conosco mesmos e com a natureza à nossa volta, estamos em condições de experimentarmos profundamente a felicidade de Deus. Em todas as páginas da Bíblia encontramos algum vestígio deste princípio. A Bíblia toda fala deste gigante universo e de tudo o que há nele: o céu, a terra, o sol, a chuva, o frio, o calor, a geada, a neve, o relâmpago, os trovões, as florestas, os animais, as aves, as águas, os peixes, o dia e a noite, as montanhas e as planícies, o mar, as pedras e os rios. O próprio Jesus ao falar sobre as realidades transcendentes fala da oliveira, da videira, da figueira, do trigo, das pérolas, da mostarda, dos pássaros e das flores. Enfim, usa da paisagem natural à sua volta para dizer sobre as coisas do céu. Então, só podemos ser perfeitamente felizes se tivermos um afável relacionamento com a vida no planeta.

A CF deste ano vem nos chamar gravemente a atenção para este ponto nevrálgico: o aquecimento global e as mudanças climáticas. Estes são, na verdade, sinais de alerta a nos dizer que não estamos cuidando bem deste jardim de Deus, onde tudo, funcionado perfeitamente, colabora para a nossa qualidade de vida, para a nossa felicidade.

Juntamente com os exercícios quaresmais, queremos que o tema da CF nos ajude a atingir o objetivo geral desta Campanha: “contribuir para a conscientização das comunidades cristãs e pessoas de boa vontade sobre a gravidade do aquecimento global e das mudanças climáticas, e motivá-las a participar dos debates e ações que visam a enfrentar o problema e preservar as condições de vida no planeta”.

Sim, queridos irmãos e irmãs, o tema que vamos rezar nesta quaresma é um assunto vital. Tornemo-nos missionários deste anúncio. Com nosso testemunho e palavras ajudemos na divulgação desta verdade: “A temperatura futura do planeta terra, se quisermos que seja favorável ao desenvolvimento normal da vida humana, vai depender de nosso modo de produzir e consumir, enfim, do modo de nos relacionar com a terra”. “se nos tornamos inimigos da cama não podemos dormir; se nos tornamos inimigos da terra não podemos viver” (Dom Celso).

Que Maria, a Mãe de Jesus, que transformava em vida toda Palavra de Deus que meditava e guardava em seu coração, nos acompanhe neste caminho quaresmal para que nós também, acolhendo a Palavra de Deus em nossas celebrações e o Tema: “Fraternidade e a vida no Planeta”, nos empenhemos em busca da vida e de sua justa manutenção e não nos cansemos de cultivar e de cuidar deste nosso planeta, o jardim que Deus, Pai amoroso, nos deu para nele vivermos em paz e que hoje requer o socorro dos autênticos filhos de Deus.

On 08 março 2011 1 comentários

Dentro das religiões monoteístas, o catolicismo é a única que presta reverência a uma mulher tendo esta um papel fundamental. “A grande fé cristã se resume nessa formula: Jesus Cristo nasceu e ressuscitou para a nossa salvação, mas Ele entra no mundo através de uma mulher: Maria”. É o que explica o antropólogo e doutor em teologia, professor Lino Rampazzo.

Segundo o teólogo, a Virgem Maria tem um papel determinante na Bíblia. No Novo Testamento e nos Atos dos Apóstolos, explica o professor, ela aparece poucas vezes, mas em momentos fundamentais: anunciação, nascimento de Cristo, primeiro milagre nas Bodas de Caná, aos pés da cruz e no nascimento da Igreja, no Pentecostes.

O estudioso destaca ainda é Maria a mulher que mostra os cumprimentos das palavras do Antigo Testamento, exemplo de fé e obediência: Ela reza os Salmos, cumpres os preceitos religiosos levando o menino Jesus ao Templo, e ao mesmo tempo é aquela que acolhe e medida as palavras de Cristo em seu coração.

Por meio dos quatro dogmas - virgindade, imaculada conceição, maternidade divina e assunção ao Céu - a Igreja Católica apresenta essa mulher extraordinária que é Maria, enfatiza o teólogo, e todos esses dogmas leva a Cristo. “Ao mesmo tempo que Deus é quem dá a Salvação Ele pede a colaboração humana, pedindo a Maria sua colaboração, e ela se mostra disposta e acredita. E tudo isso nos vem pelas mãos de uma mulher”, afirma.
E dizer que Maria é a mãe de Deus, para o professor, é a forma mais fácil de entender que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem: “Virgem mãe filha do seu Filho”.

A visão de Maria assunta no céu mostra aos cristãos que a meta de todos não está na vida presente, como ressalta o professor, ao afirmar também que ela é aquela que participou primeiramente da salvação de Cristo, por meio dessa assunção.

“Não podemos dizer que falar de Maria nos afasta de Cristo porque tudo que é grande em Maria tem seu fundamento em Cristo”, destaca Lino Rampazzo.

As mulheres da Bíblia

O doutor em teologia salienta também a forte presenta feminina na Bíblia, lembrando as mulher que acompanhava Jesus e os apóstolos. “No momento mais difícil quando Jesus dá seu supremo testemunho na cruz há somente um homem presente e todas as outras eram mulheres. E no dia da ressurreição são as mulheres que vão no túmulo de Jesus”, elucida o professor.

Santo Ambrósio, por exemplo, define a importância de Maria Madalena chamando-a de “apóstola dos apóstolos”, justamente porque é ela quem anunciou a ressurreição aos discípulos.

As grandes mulheres da Igreja

Já no Livro do Gênesis, quando é explicada a criação da humanidade, Deus mostra o papel do homem e da mulher. “Dizer que mulher saiu da costela do homem, significa mostrar que ela não está acima ou abaixo, mas ao lado, a mulher é a companheira do homem, ela o completa. O homem não conseguiria traduzir todos os dons da humanidade se não colocasse a mulher ao seus lado”, enfatiza o teólogo.

Para Lino Rampazza, a mulher é o coração da sociedade e o seu maior dom é a afetividade; sem ela a sociedade seria fria e não perceberia todos os aspectos da realidade.

“Se olharmos as figuras dos grande homens, vemos ao seu lado a figura de uma mulher. Muitas vezes é uma mãe, esposa, uma filha, uma figura de uma mulher que o fez entender e agir melhor na sociedade”, destaca.

No decorrer dos séculos, as mulheres desempenham papéis de grande importância e notoriedade na Igreja e na sociedade. Entre elas, destacam-se as doutoras da Igreja - Santa Catarina de Sena, Santa Teresinha do Menino Jesus e Santa Teresa d'Ávila – , as grandes santas como Santa Clara de Assis, Santas Perpétua e Felicidade, as mártires Santa Águeda e Santa Luzia, e as grandes mulheres católicas do século XX como Madre Teresa de Calcutá e Chiara Lubich.

Fonte: cancaonova.com